Eu fui traída. Assumir isso, para uma grande parte das pessoas é muito difícil. Isso porque nossa sociedade tende a arrumar desculpas para a traição e o peso dela sempre recai em cima de quem foi traído e não de quem realmente traiu. A pessoa que traiu sempre tinha algo faltando em casa, no relacionamento, na convivência e por isso, foi procurar, na rua, o que não tinha ali. Será?

Sendo assim, quando fui traída a primeira vez, eu relevei, tinha uma auto-estima maravilhosa e sabia que ele tinha me traído mais porque faltava caráter do que por culpa minha. Talvez eu entender que eu tinha um mundo todo para viver tenha ajudado muito. Talvez esse seja o segredo?

Passei alguns meses solteira, me diverti, fui à festas, comemorei um ano solteira. Eu estava me sentindo bem, não me senti abatida em nenhum momento pela traição e nem por um segundo se quer, eu me senti culpada. Eu tinha plena consciência de que eu não tinha feito nada a não ser, ter sido traída e que eu dei o melhor que eu pude naquele relacionamento, mesmo muitas vezes, não querendo estar mais nele.

A SEGUNDA TRAIÇÃO É SEMPRE A MAIS “ENGRAÇADA”

Um ano e meio depois, eu comecei a conhecer uma outra pessoa… Alguém que parecia legal, parecia decente. Falava de Deus com fevor e ainda me tratava como se eu fosse uma princesa. Pelo menos, era assim que eu enxergava. 

Começamos a namorar depois de um mês de sairmos, conversávamos diariamente e de maneira constante. Ele saiu do emprego para apostar em uma coisa que uma semana depois, deu errado, eu fiquei, para apoiá-lo. Cinco meses se passaram e ele continuava parado. Um azar, não? Acontece. 

Ele tentou em outros lugares, mas nunca deu certo, ele sempre acabava dispensado alguns dias, no máximo, algumas semanas depois. Eu sempre apoiava, dizia que sempre acontecia com todo mundo e em breve ele estaria empregado. Afinal, quem nunca teve aquele ano de cão?

No final do ano, menti dizendo que estava em casa, quando estava no sinaleiro a duas ruas da minha casa. Foi o motivo para ele terminar… por mensagem. 

Dez dias depois, descobri que ele me traía desde quando começamos a namorar. Para ser justa, ele me traía desde quando fizemos dois meses de namoro, ou seja, ele namorava comigo e com outra mulher, a outra mulher sabia de mim eu, claro, não sabia dela. Eles estão juntos até hoje. 

Quando descobri, me senti a pior das mulheres. Eu achei que aquela mentira era o que havia causado aquela traição. Eu achei que minha falta de dedicação, minha falta de amor eram a causa para a traição. Pensei que se eu tivesse me dedicado mais, dado mais apoio. Talvez se eu tivesse dado um emprego a ele? Talvez se eu tivesse apresentado eles a pessoas que eu sei que poderiam empregá-lo? E se eu tivesse respondido as mensagens mais rápido? E se eu mostrasse mais apoio? E se eu… A culpa não era minha, mas eu pensava que sim. 

Fiz tratamento com psiquiatra, psicólogo, tomei remédios, mergulhei em uma depressão que eu não conseguia sair, me senti uma pessoa horrível. Mas na busca de me recuperar me envolvi em um terceiro relacionamento muito mais tóxico que o anterior em apenas 15 dias após descobrir tudo.

SIM, TEVE A TERCEIRA TAMBÉM

A ideia não era ter um relacionamento, mas ele foi ganhando forma. A pessoa entrou em minha casa, ficou sem ser chamada. Foi tomando conta da casa, das minhas coisas, da minha vida e eu assisti de fora, como uma mera expectadora. Eu sabia que seria traída novamente e isso não era um chamado às energia para perto de mim, mas as atitudes dele mostravam isso, desde o começo. Sim, os sinais eram nítidos.

Um mês após começarmos a sair, e veja bem, começarmos a sair! Ele passava mais tempo na minha casa do que na casa da família dele. No primeiro mês, me mandava mensagens carinhosas, me dizia onde estava, sempre queria saber de mim. 

Depois que estava dentro da minha casa, passando mais tempo, começou o descaso. Ele começou a sumir sem dar satisfação, eu chegava e ele estava dentro da minha casa, sem me dizer que iria para lá. Usava minhas coisas sem saber se eu realmente queria isso e todos os lugares que íamos, tinha que ser exatamente onde ele queria. E eu aceitava, afinal, ele me amava.

Ele sumia, um final de semana inteiro. Não mandava mensagem, não me dava explicações. Eu não cobrei da primeira vez, nem da segunda, mas quando fui cobrar na terceira, eu estava sendo exagerada, ruim. Era mesmo?

Uma vez, uma amiga perguntou pra ele, o que, no final das contas, a gente tinha. Ele disse, depois de ficar quase uma semana na minha casa, que nada. Aquilo me feriu, mas eu não disse nada. Nesse mesmo dia, eu fiz sexo com ele e dormi chorando, depois que ele dormiu, porque pra mim, aquilo era alguma coisa. 

A primeira vez que eu descobri uma traição, de fato, foi quatro meses depois que começamos a ter alguma coisa, sem nome definido. Peguei uma declaração da ex dele e a resposta dele para ela, cobrando uma possível traição dela. Segundo ele, eles estavam separados há  dois anos, pela mensagem, eles nunca haviam se separado. 

Eu estava sendo a outra sem saber? Ou ela sabia de mim e estava sendo a outra e mais uma vez, eu estava sendo enganada. Deixei o telefone de lado e fingi não ter visto nada. Meses depois, decidi pegar o telefone dele novamente, para saber se havia mensagens de um para o outro. Descobri outra traição, com outra mulher, uma que ele disse nunca ter tido nada, mas que segundo amigos dele, ele ficou uns meses com essa mulher… sendo casado. 

Eu decidi terminar. Mas não consegui. Ele tinha uma filha e ele usou a menina, que era meu ponto fraco. Imaginei que ele não me trairia mais. Nunca mais olhei o telefone dele, imaginei que seria melhor assim, mas nunca mais fomos realmente casal. Brigávamos todos os dias e ele me acusava sempre de alguma coisa, que ele tinha feito, mas que ele sempre dizia que era eu. 

Ele terminou algumas vezes, gritando e dizia que era eu quem tinha feito. Ele brigava por coisas que não faziam sentido. Eu estava ficando cansada daquela situação, mas nunca tive forças pra terminar, apesar de nunca conseguir encontrar um motivo pelo qual continuar junto. 

Em uma viagem, no final do ano, descobri que ele ainda conversava com a ex, com quem ele estava me traindo no começo da relação. Aquilo deveria ter sido o fim, mas no dia seguinte, eu peguei um uber e fui passar o natal na casa dele, com ele, no dia seguinte a gente fez sexo. 

E a vida se seguiu assim, até que meses depois ele terminou comigo, por mensagem. Segundo ele, não tinha coragem de olhar nos meus olhos e terminar pessoalmente. Ele havia acabado de sair da minha casa, porque ele havia dormido nela. Ele tinha dito que me amava, depois de me beijar, logo antes de sair pela porta para nunca mais voltar.

O FIM…

Segundo ele, estava em depressão e não conseguia me manter. Eu, prefiro acreditar que Deus deu uma força pra minha saúde mental e o fez ir embora. 

Fazendo um levantamento, agora, eu fui traída em todos os meus relacionamentos e em nenhum momento, a culpa foi minha. Eu também tive várias oportunidades de trair e nunca cheguei nem perto disso. Eu estava em um relacionamento e eu nunca faria isso, afinal, ninguém me obrigou a estar nesse relacionamento. 

Hoje, eu entendo, que a traição, nunca foi culpa minha. Nunca nos colocamos nessa situação, mas temos que ter força suficiente para sair dela. Não podemos deixar que o outro nos dite quando devemos sair de um relacionamento abusivo e muito menos, aceitá-lo como normal, como eu sempre fazia. 

A promessa de mudança sempre vai existir, mas se ela virá mesmo, isso nem mesmo a pessoa que te promete isso poderá dizer. Eu nunca tive a sorte de ter um regenerado e nem sei se eles existem realmente. 

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